35 Anos da Redemocratização: O marco histórico da transição para a Democracia com José Sarney

Há 40 anos, o Brasil vivia um momento de transição política que viria a definir a redemocratização do país. Em 15 de março de 1985, após uma madrugada de intensas negociações em Brasília, o maranhense José Sarney assumiu, de forma interina, a Presidência da República. Ele havia sido eleito vice-presidente, mas a posse de Tancredo Neves, que havia vencido as eleições pelo colégio eleitoral, não aconteceu como esperado. Tancredo foi hospitalizado com fortes dores abdominais e precisou passar por uma cirurgia. Sarney foi avisado, durante a madrugada, que assumiria o governo até a recuperação de Tancredo.

Com 54 anos, Sarney prestou juramento no Congresso Nacional e, em seguida, seguiu para o Palácio do Planalto. Lá, tomou posse e nomeou os novos ministros escolhidos por Tancredo. Em um curto e simbólico discurso, ele afirmou, com olhos marcados pela agitação da noite anterior: “Eu estou com os olhos de ontem.” A situação que o Brasil vivia era inédita, pois Sarney se tornava o primeiro presidente civil do país após 21 anos de regime militar, o último tendo sido João Goulart, deposto pelo golpe de 1964.

Sarney governou o Brasil até 1990, e seu governo foi marcado por momentos de grande importância para a história política do país. Uma de suas maiores conquistas foi a convocação e realização da Assembleia Nacional Constituinte, que resultou na promulgação da atual Constituição Brasileira em 1988. A nova Carta ampliou direitos civis, sociais e políticos, e instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS), um marco no avanço da redemocratização.

Porém, o governo de Sarney também enfrentou grandes desafios econômicos. Com o slogan “Tudo pelo social”, Sarney não conseguiu controlar a inflação e a recessão que assolavam o país. Diversos planos econômicos foram tentados, mas a inflação disparou, chegando a 1.782% em 1989, um número assustador, especialmente se comparado aos 4,83% de inflação registrados em 2024. Durante sua presidência, Sarney também suspendeu o pagamento da dívida externa, o que gerou repercussões no cenário econômico internacional.

Na arena internacional, Sarney buscou uma política externa mais aberta e estreitou laços com países da América Latina. Ele foi uma das figuras-chave na criação do Mercosul, o bloco econômico que reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Após deixar a presidência, Sarney continuou a influenciar a política brasileira. Foi eleito senador por três mandatos consecutivos pelo Amapá e presidiu o Senado por quatro vezes.

Embora não concorra a cargos públicos desde 2014, Sarney permanece uma figura de grande influência na política brasileira.

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