
As credenciais de uma servidora do Ministério Público Federal no Maranhão foram utilizadas em pelo menos cinco ocasiões para acessar documentos sigilosos relacionados às investigações sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A informação consta em relatório elaborado pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o documento, os acessos teriam sido realizados por integrantes ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, que buscavam informações restritas dentro dos sistemas do Ministério Público Federal.
A servidora envolvida é Alina Franco Boueres de Araújo, integrante do MPF no Maranhão desde 2006. Segundo o próprio órgão, ela foi vítima de um golpe de phishing, utilizado para obter indevidamente senhas e credenciais de acesso.
O Ministério Público Federal informou que foi comunicado pela Polícia Federal sobre o episódio em 2025. Após tomar conhecimento do caso, o órgão instaurou uma investigação interna, que identificou o uso indevido das credenciais da servidora.
Como medida de segurança, os acessos não autorizados foram bloqueados e procedimentos foram adotados para evitar novas ocorrências.
Acessos identificados pela Polícia Federal
O relatório da PF aponta que a primeira consulta identificada ocorreu em 2023. O acesso teria sido realizado por Luiz Phillipi Mourão, apontado pelos investigadores como chefe operacional do grupo ligado a Vorcaro e identificado pelo codinome “Sicário”.
Na ocasião, a consulta buscava informações relacionadas a notícias-crimes apresentadas pelo jornalista Vladimir Timmerman, que havia publicado informações envolvendo o banqueiro.
As credenciais da servidora também teriam sido utilizadas em março, junho e julho de 2024.
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Mourão chegou a encaminhar a Daniel Vorcaro seis documentos de uma só vez. Segundo a PF, os arquivos eram classificados como sigilosos.
À época dos acessos identificados, Alina Boueres estava lotada no gabinete do procurador da República Marcílio Nunes Medeiros.
Investigação não aponta participação da servidora
Apesar de identificar o uso das credenciais, a Polícia Federal faz uma ressalva importante no relatório: o fato de os logins terem sido utilizados de maneira indevida não significa, por si só, que os titulares das contas tenham participado voluntariamente do esquema.
O documento destaca que as credenciais de servidores foram exploradas de forma reiterada para acessar informações sob sigilo. A PF considera a possibilidade de que as extrações tenham ocorrido com ou sem conhecimento dos titulares dos acessos.
A eventual participação consciente dos servidores, portanto, permanece sob investigação.
Documentos do caso Master
As informações passaram a ser públicas depois que o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de documentos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
A decisão ocorreu em meio ao avanço das apurações e após solicitação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin.
O relatório da Polícia Federal também detalha outras articulações atribuídas ao grupo de Daniel Vorcaro e aponta que integrantes ligados ao banqueiro tinham acesso a informações relacionadas a investigações antes da deflagração da Operação Compliance Zero.
Deixe um comentário