
A Polícia Federal avançou nas investigações da Operação Compliance Zero e prendeu, nesta quinta-feira, 14, Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais investigados em um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado ao Banco Master.
A prisão ocorreu em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, durante uma nova fase da operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, os agentes cumpriram sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava uma estrutura clandestina para monitorar adversários, acessar informações sigilosas e intimidar pessoas consideradas ameaças aos interesses do grupo econômico investigado. A PF afirma que o esquema era dividido em dois núcleos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”.
De acordo com os investigadores, Henrique Vorcaro teria papel relevante dentro da estrutura, atuando como operador financeiro e responsável por articular demandas junto ao grupo. A Polícia Federal aponta ainda que ele teria autorizado pagamentos de aproximadamente R$ 400 mil destinados às atividades ilegais do esquema.
As apurações indicam que o grupo realizava invasões de sistemas, monitoramento clandestino, ataques cibernéticos e acesso ilegal a bancos de dados de segurança pública. O Ministério Público Federal também teria sido alvo de ações do grupo entre os anos de 2024 e 2025.
Entre os presos estão policiais federais da ativa e aposentados. Um dos alvos da operação é Anderson Wander da Silva Lima, policial federal lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro. O policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior também foi preso.
A operação resultou ainda no afastamento da delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva, que foi proibida de acessar dependências da corporação e manter contato com agentes ativos ou aposentados da PF.
Conforme a investigação, o grupo chamado “A Turma” era responsável por ações de vigilância clandestina, coleta ilegal de informações e intimidação. Já “Os Meninos” atuavam na parte tecnológica, promovendo invasões telemáticas, monitoramento telefônico ilegal e derrubada de perfis digitais.
Mensagens interceptadas pelos investigadores apontariam uma divisão organizada de funções, além de pagamentos mensais realizados entre integrantes da estrutura.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial teria sido tomada sem que os advogados fossem previamente ouvidos e declarou que irá contestar a medida na Justiça.
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